quarta-feira, setembro 20, 2006

À uma tarde sem voz, luz ou calor...


Oh, que belíssima imagem!!!

Uma tela branca. Virgem. Pura como as gotas que passam inertes pela janela.
Tão bela e cruel!
Quase tanto quanto a promessa quebrada.
Essa luz gélida que incomoda.
Que grita meu nome, esperando que eu a venha manchar, violar, poluir com minhas amarguras e meus sonhos distântes.
Longínquos assim como o calor do café que bebo é alheio à minha alma.

Uma tela branca.
Visão lúdica, livre, quase uma representação de art noveau.
Destoante do olhar ofuscado e piegas, sem mais sorrisos iludidos que transcendiam o passado.
Uma tela doce e acolhedora não combina com meu café...
...negro, amargo, absorvido da mesma forma que a terra bebe as gotas
remanescentes da chuva que apagou a fogueira.
A mesma fogueira outrora fulgurante na face.

Reconfortante espaço, engolidor de qualquer asneira.
Símbolos desvirtuadores da liberdade.

"Quem roubou a inocência da chuva, do frio e das folhas em branco?"

Já não importa.
Agora que as lágrimas do céu são ácidas; as monções não causam arrepios na tez; e o alabastro é esculpido obscenamente,
observe que nada além do seus próprios anseios foram realizados.

Afinal, de que mais serve a ignorância, a inexperiência e a fé senão para indagar e ser esclarecida, experimentar e sentir, desiludir e fortalecer?

terça-feira, setembro 19, 2006

O Vento

Em homenagem a uma amiga flatulenta...
ahsuihauihduaishdiuashduiashdiuahsdiuahsiudhais



O ar
Vinicius de Moraes

Estou vivo mas não tenho corpo
por isso é que eu não tenho forma
Peso eu também não tenho
e não tenho cor.
Quando sou fraco me chamo brisa
e se assobio isso é comum
quando sou forte me chamo vento
quando sou cheiro me chamo pum!!!


Pardeira, lembrei de vc hoje!!!
Te amo!
Saudades
Beijão

segunda-feira, setembro 18, 2006

É preciso viver.

Música clássica é legal. Inspiradora...
...deu vontade de escrever. Mesmo com raiva do meu último post, que na verdade não foi um post porque o imbecil do computador engoliu meu texto. Eu falei com ele "maldito, vai ter uma indigestão!!!" Mas ele nem me ouviu. Que raiva... tã nã tã nã tã nã nã nã tã nã nã nã nã nã nã

Queria dizer que...
não sei
não lembro mais.
Não estou eufórica mais... não como estava ontem!

Hoje me resignei a esperar. Esperar até amanhecer... até o dia.
Até Ele chegar e trazer luz!

A mariposa.
Sim, sim...
Começava assim:
"Uma mariposa. Voando insanamente em torno da luz."

Vamos mudar as palavras e todo resto...

"Elas bebem o álcool das frutas estragadas. As vezes acho que sou uma mariposa."

Acabou a música...droga!
Não consigo mais escrever sobre isso. Só posso pensar.

Ah, a metamorfose.
"Estou num casulo... asas sendo docemente esculpidas pela natureza. Ela é incrível, não???
A perfeição do ciclo. Tudo estranhamente dolorido e belo. É preciso viver..."

domingo, setembro 10, 2006

Pobre criança pós-moderna...




Alguém a fitou com interrogação. Não vacilou. Um impulso como este poderia ter assustado a qualquer outro, entretanto ela não era qualquer outro.

_ Diga-me, o que desejas aqui?

_ Já não tenho desejos plausíveis..._ os olhos cerrados, a visão fulgindo em escuridão e a mente aturdida. Olhos capazes de traí-la em nome da verdade. O caos em si, terrivelmente real e docemente surreal.

_ Então, como poderás viver?

_ Não sei viver. Você se atreveria a saber? Quem se atreve?

A fortaleza se prostrara ali, titubeante como, por instantes, ela acreditou não ser possível. O inquisidor, afim de não sei o que, partilhou segundos de introspecção... “quem poderia saber?”

Revelaram-se mais semelhantes que a imaginação poderia conceber. Na verdade, de uma perspectiva cósmica, todos são irreparavelmente iguais.

_ Busco redenção _ os olhos de caos acabaram de afirmar, suplicar, sussurrar. Devanearam:

_ Não sei... não sei... não sei... Qual foi meu crime? O que é castigo aqui? Pequei por não me adaptar aos outros. Aos padrões de comportamento. Sou uma forasteira. Em qualquer lugar desse lugar. O homem não deveria tentar ser feliz? Preciso de liberdade para tanto. Mas ser livre não significa vontade e ação própria.

_ E agora você nunca esteve tão presa! Nunca esteve tão longe do caminho...

_ Tentei me reencontrar. É claro que fui tola. Imaginar que esse dia ou aquele pudessem acalmar uma tempestade que persistiu meses enclausurada nos meus mais impensados atos, até nascer. Mesmo que esse dia já sejam três, mesmo que pareça não ter fim. Estou exausta. Parece mesmo ser o meu fim.

_ Sim! Que assim seja. É preciso arder em chamas para renascer. Pobre menina, qual uma fênix cega. Vá! Vá para longe. Aqui não terás o que nem quem procuras. Nem mesmo em quem procuras agora.

_ Eu sei, eu sei. Devo encontrar-me primeiro. Antes de tudo, devo esgotar minhas, já escassas, forças. Dormir. Acordar. Ressignificar meu ser.

_ Espero que seu novo ser possua uma casa. Um lugar de verdade.

_ Preciso de um café!!!