À uma tarde sem voz, luz ou calor...

Oh, que belíssima imagem!!!
Uma tela branca. Virgem. Pura como as gotas que passam inertes pela janela.
Tão bela e cruel!
Quase tanto quanto a promessa quebrada.
Essa luz gélida que incomoda.
Que grita meu nome, esperando que eu a venha manchar, violar, poluir com minhas amarguras e meus sonhos distântes.
Longínquos assim como o calor do café que bebo é alheio à minha alma.
Uma tela branca.
Visão lúdica, livre, quase uma representação de art noveau.
Destoante do olhar ofuscado e piegas, sem mais sorrisos iludidos que transcendiam o passado.
Uma tela doce e acolhedora não combina com meu café...
...negro, amargo, absorvido da mesma forma que a terra bebe as gotas
remanescentes da chuva que apagou a fogueira.
A mesma fogueira outrora fulgurante na face.
Reconfortante espaço, engolidor de qualquer asneira.
Símbolos desvirtuadores da liberdade.
"Quem roubou a inocência da chuva, do frio e das folhas em branco?"
Já não importa.
Agora que as lágrimas do céu são ácidas; as monções não causam arrepios na tez; e o alabastro é esculpido obscenamente,
observe que nada além do seus próprios anseios foram realizados.
Afinal, de que mais serve a ignorância, a inexperiência e a fé senão para indagar e ser esclarecida, experimentar e sentir, desiludir e fortalecer?

